Suplemento Literário

Rubião e o Suplemento

Em 1966, Murilo Rubião foi encarregado de organizar o Suplemento Literário do Minas Gerais, sendo o seu primeiro secretário. O primeiro número foi lançado a 03 de setembro de 1966, como encarte das edições de sábado do Diário Oficial. Além de publicar textos narrativos, poéticos e ensaios literários, o Suplemento abriu-se para o diálogo com o teatro, o cinema, as artes plásticas, a história, etc.

Em 1969, Murilo afastou-se da direção do Suplemento e assumiu a Chefia do Departamento de Publicações da Imprensa Oficial. No mesmo ano, foi designado Presidente da Comissão de Apreciação do Mérito das Publicações da Imprensa Oficial. Ainda em 1969, deixou a Imprensa Oficial para ocupar o cargo de Presidente da Fundação de Arte de Ouro Preto.

No ano de 1975, Murilo foi promovido a Diretor de Publicações e Divulgação da Imprensa Oficial do Estado, aposentando-se no mesmo ano. Em 1983, após a eleição de Tancredo Neves para governador de Minas Gerais (1982), Rubião foi nomeado Diretor da Imprensa Oficial. Em 1984, devido ao um câncer na laringe, deixou o cargo para fazer tratamento.

As fortes relações de Murilo com o mundo intelectual fizeram o Suplemento receber, desde o início, colaborações dos mais importantes nomes da literatura e cultura brasileira. Entre esses podemos citar Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Murilo Mendes, etc. Isso fez com que o sucesso do jornal fosse rápido.

Em torno do Suplemento Literário formações de jovens escritores, artistas e intelectuais se fizeram e se encontraram. Entre esses nomes podemos citar Adão Ventura, Ângelo Oswaldo, Carlos Herculano Lopes, Humberto Werneck, Ivan Ângelo, Jayme Prado Gouvêa, Luís Vilela, Márcio Sampaio, Roberto Drummond, Oswaldo França Júnior, Paulinho Assunção, Sebastião Nunes, Duílio Gomes, Wander Piroli, entre outros. O Suplemento tornou-se um ponto de encontro entre gerações. Estavam sempre por lá nomes como os de Álvaro Apocalypse, Affonso Ávila, Emílio Moura, Eduardo Frieiro, Henriqueta Lisboa, Laís Correia de Araújo e Maria José de Queiroz.

A personalidade de Murilo adaptou-se bem ao projeto do Suplemento, pois ali podia exercer sua competência administrativa, conviver e trocar correspondências com os amigos de todos os tempos e lugares e agregar novas amizades, valorizar as forças que germinavam no chão da cultura de Minas e também de outros estados, como por exemplo Moacir Scliar e Caio Fernando Abreu. O Suplemento foi um ponto de encontro, foi um espaço catalizador das aspirações de uma arte renovada, vigorosa e de um pensamento político qüestionador das diferenças sociais brasileiras. Foi também um modo de Minas abrir clareiras nas névoas trazidas pelo regime militar, através da literatura - “ um dos mais felizes meios de expressão que o homem encontrou para melhor conhecer a si e falar da sociedade em que se inscreve e do mundo em que vive”-, nas palavras de Silviano Santiago, no Suplemento Literário de junho de 2005.

À frente do Suplemento, Rubião enfrentou dificuldades, desde a mediocridade de certo círculo literário mineiro, que torcia para que o projeto não desse certo, passando por difamações infundadas da oposição e problemas com a polícia em tempos de chumbo. Mas soube contorná-las fazendo uso da sabedoria política, do espírito arguto ou mesmo trocando o trabalho por outro investimento da vida cultural.

O sonho ganhara solidez. O eterno mágico conseguira tirar da cartola um jornal cultural como o Livro de Areia de Borges. Quanto mais viram-se as páginas dos anos, mais o Suplemento desdobra-se em infinitos temas, surpresas e reflexões, ampliando o nosso olhar para a realidade cotidiana. Esta, de acordo com o escritor, mais fantástica e absurda que a sua própria obra literária.

Roniere Menezes




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