Homem Público

Murilo Rubião fez de sua vida um vasto painel dividido entre as cores da literatura fantástica e as da ordem burocrática, entre as amizades artístico-literárias e as difíceis negociações entre a cultura e o poder em um país de capitalismo periférico. Os trabalhos que Murilo desenvolveu junto à ordem pública, ao Estado, estiveram, em sua grande parte, relacionados à liderança e às articulações na área cultural. Rubião ocupou diversos e importantes cargos em setores da cultura mineira ligados à radiodifusão, às artes plásticas, à literatura, ao canto coral, etc. Sua visão de arte é plena, múltipla. Assemelha-se à idéia de Mário de Andrade de que a arte é uma só e que se reparte em várias expressões, mas o artista precisa entender o funcionamento desse campo maior, do imbricamento dos diversos discursos artísticos, antes de se prender a apenas uma linguagem, o que o limitaria. É assim que Rubião tomou a bandeira do funcionalismo como intelectual ligado à política cultural. Infiltrado nas malhas do poder, o escritor pôde representar os artistas e escritores, principalmente os mineiros, procurando abrir frestas por onde puderam passar e ganhar visibilidade importantes produções culturais. Entre os cargos que ocupou, devemos destacar o de diretor, por duas vezes, da Rádio Inconfidência, o de Diretor da Imprensa Oficial de Minas Gerais, o de diretor da Escola de Artes plásticas Guignard, diretor da FAOP (Fundação de Arte de Ouro Preto), presidente da Fundação Madrigal Renascentista, presidente do Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais, etc. Paralelamente à sua extensa vida de homem público, Murilo foi também consolidando cada vez mais seu lugar como um dos melhores expoentes da literatura brasileira do século XX, principalmente em relação ao gênero conto.

Roniere Menezes



Rádio Incofidência e Escola Guignard

Murilo foi uma espécie de secretário de cultura do governo Israel Pinheiro: foi presidente da Rádio Inconfidência e a reestruturou. Foi também presidente da Fundação Escola Guignard, responsável por consolidar a escola deixada pelo pintor, que a fundou em 1944. Na verdade ela não tinha uma estrutura, e o seu funcionamento estava comprometido e ameaçado.”

Ângelo Oswaldo

“Quando fui à Copa de 54, na Suíça, trouxe um relógio para ele, porque Murilo Rubião batalhou muito para que eu fosse à Copa, que não era uma coisa barata de se cobrir. Eu me lembro dele ter usado muito esse relógio.” “Murilo tem uma parte importantíssima nessa história da Inconfidência. Foi uma época áurea em que comandou a rádio, um grande comandante com grandes comandados.”

“O Murilo foi diretor da rádio duas vezes, ele era um homem simples e muito aberto, então a gente tem muita saudade dele, pois dava autonomia para os responsáveis pelos diversos setores da rádio. Estava sempre de bom humor, chegava até a avalizar alguns funcionários. Era uma pessoa de uma educação finíssima, estava sempre pronto pra ajudar, eu nunca vi, e tenho certeza, que nunca ninguém viu o Murilo levantar a voz contra qualquer pessoa ou funcionário.”

Jairo Anatólio de Lima

“ Murilo me fez vice-diretor (ele era diretor), confiava inteiramente em mim, quando ele não podia ir à rádio, a rádio ficava nas minhas mãos. Eu comecei a admirar não só o talento dele, mas também o Murilo homem, um sujeito correto, fino no trato, amigo dos amigos, desprendido, avalizava todo mundo, avalizava funcionário da rádio em banco e não comentava com ninguém.”

Lomelino Couto




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