Artes visuais, cinema, teatro, vídeo e televisão

Leia, a seguir, alguns depoimentos sobre a relação de Murilo Rubião com a literatura e outras formas de expressão artística.

“A adaptação do conto para o teatro é uma adaptação complicada, porque o tipo de escrita, o conto, é um meio completamente diferente. Eu vi uma delas, não gostei, não cabe, não é uma obra que se possa transformar para o teatro. É uma coisa muito literária, muito subjetiva, para ler, não para representar. De qualquer forma, valeu como homenagem ao Murilo. Ele não tinha interesse em trabalhar com o teatro, tinha, sim, interesse pelo teatro, pra acompanhar espetáculos. Mas ele sabia que a literatura não era pra teatro. Era uma escrita específica da literatura.”

Jota Dângelo
“Geralmente, ele elaborava um ponto antes, na cabeça, com todos os detalhes: a dramaticidade, o desenlace, a parte mágica. Ele ia criando aquilo e sempre melhorando, e depois das coisas prontas na cabeça ele passava para a escrita. E aí era outra batalha, ele não se contentava nunca com o que tinha feito. Ele achava uma dificuldade transpor aquilo que ele tinha imaginado para o papel. E a luta dele com as palavras era contínua, ele tinha um espírito de perfeccionismo tal que esses contos se estendiam por muito tempo. Ele nunca estava satisfeito com o resultado obtido. O que estava dentro dele, na imaginação dele, era maior do que ele tinha passado para o papel. Era o que ele supunha. Quando ele ia reeditar obras, ele voltava à carga, todo mundo já tinha gostado da obra publicada, mas ele não. Ele retomava aquilo e começava a reescrever.”

Rui Mourão
“Uma vez eu perguntei a ele sobre a influência de Kafka, ele respondeu que nunca tinha lido Kafka antes de escrever, e que uma influência possível seria Machado de Assis: “O conto Memórias de um Canário é um conto que me influenciou profundamente, é um conto estupendo”- disse-me ele.

José Bento Teixeira de Salles
“O Murilo fazia um conto e deixava para o leitor completar. Murilo comentava que escrevia assim. Ele usava sempre a Bíblia, tinha uma cultura de Bíblia extraordinária. Era agnóstico. A cultura dele foi toda religiosa, os pais religiosos, uma cidade do interior de Minas, onde nós mineiros temos uma cultura religiosa muito sedimentada. O Murilo, durante essa fase de mocidade, era crente, rezava, comparecia às missas. Depois ele foi começando a escrever, conhecendo melhor o mundo, então ele viu que talvez a eternidade não existisse. Aliás, ele nunca fugiu às origens, tanto que ele sempre pegou a Bíblia, que é o livro básico da religião católica. Da Bíblia ele extraiu os pedaços mais bonitos, numa demonstração inequívoca de que ele era um pleno conhecedor desse livro sagrado.”

Lomelino Couto
“Como jornalista, lembro-me de uma vez em que fui entrevistá-lo para o Jornal da Tarde, de São Paulo, no seu apartamento da avenida Augusto de Lima. Murilo já estava debilitado pela doença, mas mantinha o mesmo humor, a mesma força de sua generosidade. Ao perguntá-lo sobre como trabalhava seus contos, ele retirou dos bolsos do paletó um monte de papeizinhos dobrados, amassados, amarfanhados, cheios de anotações, e os colocou sobre uma mesa de centro, de madeira lavrada, uma mesa que o acompanhava desde a rua Trifana. Foi, creio, depois de tantos anos de amizade e convivência, a primeira vez que Murilo me mostrava aqueles papeizinhos. E só ali, naquelas anotações, eu teria material, se quisesse, para uma longa reportagem sobre o escritor.”

Paulinho Assunção
“Ele gostava muito de Machado de Assis, era muito bom para indicar leituras. Às vezes encontrávamos o Murilo, ele perguntava, aonde vocês vão, a gente respondia que ia no sebo, ele falava, eu vou com vocês. A gente ia pagar conta no sebo mas o Murilo já tinha acertado para a gente.”

“Era uma estrela sem estrelismo, não ficava cheio de si, nunca ficou deslumbrado. Era o cara mais vazio de ambição literária que eu já conheci.”

“Um crônica de Paulo Mendes Campos, “Um conto em 26 anos”, é a estória de como Murilo escreveu “O convidado”. O Paulo testemunhou tudo. Começou durante um congresso de escritores, todos foram para uma festa, e Murilo retornou antes para casa, a fim de escrever seu conto. Quando Paulo voltou, Murilo estava ali, cheio de bolinhas de papel em volta, apenas a frase “o convidado não existe” no papel à sua frente e mais nada. Quando se passam 26 anos, o Murilo manda datilografado o conto para o Paulo. Isso mostra aquela coisa que ele nos aconselhava, de escrever um texto mais enxuto, mais aparafusado, de não ter pressa em publicar.”

Humberto Werneck
A obra muriliana nas artes plásticas, cinema, vídeo e teatro

Artes Plásticas
Nello Nuno
Ana Amélia Diniz Camargos
Annamélia Lopes
Aurélia Rubião
Chanina
Fabíola Moulin
Gabriela Rangel
Herculano Campos
Inimá de Paula
José Pedrosa
Mabe Bethônico
Madu
Marconi Drummond
Nídia Negromonte
Petrônio Bax
Ricardo Homem
Roberfo Bethônico
Solange Pessoa


Filmes
"O Ex-Mágico", Rafael Conde
"A Armadilha", Henrique Faulhaber
"Zacarias", Paulo Laborne
"Teleco", Maria Helena Silveira
"O Bloqueio", Cláudio de Oliveira


Teatro
"A Casa do Girassol Vermelho"
Baseado nos contos "A Lua", "Bárbara" e "Os Três Nomes De Godofredo". Adaptação e direção de Cida Falabella, para a Cia. Sonho e Drama.
"The Piranha Lounge"
Baseada em vários contos. Direção de André Pinky. Cia. Dende Collective, Londres, 2002.
"O amor e outros estranhos rumores - 3 histórias de Murilo Rubião"
Baseada nos contos "Bárbara", "Memõrias do contabilista Pedro Inácio" e "Os Três Nomes De Godofredo". Direção de Yara Novaes. São Paulo, 2010


Televisão
"Brava Gente" - série da Rede Globo: As proezas do finado Zacarias, exibido em 4 de setembro de 2001
Roteiro: João Emanuel Carneiro
Direção: Vicente Barcelos
Direção Geral: Roberto Farias

"O Ex-Mágico", da série Contos da Meia Noite, da TV Cultura de São Paulo, 2003.
Direção Éder Santos, Evandro Rogers e Marcelo Braga
Narração: Maria Luisa Mendonça


Vídeo
"O Pirotécnico Zacarias", de Rodolfo Magalhães (1991)
O Ex-Mágico, da série Contos da Meia Noite, da TV Cultura de São Paulo (2004)


Performance
"O lugar aonde os carros não vão",
Éder Santos, no evento "On-Off Experiências em Live Image".
Itaú Cultural, São Paulo (2007)



Artes visuais, cinema, teatro, vídeo e televisão
Exposições
Figura Humana
Homem Público
Entrevistas
Suplemento Literário
© 2012 . Murilo Rubião . Todos os direitos reservados