Entre o humano e o animal


A obra de Murilo Rubião não se mede pela quantidade de livros nem pela quantidade de palavras. Mede-se a obra pela concisão. Murilo retoma e coloca em jogo uma das contribuições fundamentais do projeto construtivista na literatura brasileira: o do dizer o máximo com o mínimo de recursos, ou seja, o de buscar a maior riqueza semântica com o mínimo de palavras. Nisso se aproxima tanto de Graciliano Ramos quanto de Oswald de Andrade, tanto de Dalton Trevisan quanto de João Cabral de Melo Neto.

E essa inversão de valores (a riqueza da significação do texto na pobreza vocabular) se dá na terra da retórica bahiana. Sua obra – já de partida e de antemão – é critica do palavroso Rui Barbosa, precedido e acompanhado do infindável séquito de beletristas.

A obra de Murilo é critica ainda mais ferrenha da postura conformista do homem diante dos angustiosos problemas da vida. Murilo Rubião se especializou em desenhar, na sua obra, personagens que refazem o périplo dos “excêntricos” mineiros sobre a terra. O excêntrico é o que tem por excelência a experiência do limite transposto. Deslocando o centro dos problemas e da reflexão, o texto de Murilo conduz o seu leitor a encará-los com os olhos inocentes da criança que tudo sabe porque tudo ignora. Entre a vida e a morte, rompendo a linha que delimita cada uma no seu próprio canto, aparece o defunto autor Zacarias, dito o pirotécnico. Entre o humano e o animal, transgredindo a exclusividade da fala, o coelhinho Teleco.



A arte do conto de Murilo Rubião
Animais de estimação
As visões do invisível
Coisas Espantosas
Entre o humano e o animal
O Convidado
O Ex-Mágico
O fantástico em Murilo Rubião
O mágico desencantado ou as metamorfoses de Murilo
O Pirotécnico Zacarias
O sequestro da surpresa
Os dragões e ...
Os novos
Pirotécnico Santanna
Realidade, fantasia.
Romance daqui e dalhures
Um contista em face do sobrenatural
Visões da crítica
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