Várias

Curt Lange

Ministério das Relações Exteriores
Instituto Interamericano de Musicologia
Casilla Correo 540 – Montevideo (Uruguay)

Montevideo, agosto 12 de 1969

Exmo. Senhor
Professor Murilo Rubião
Membro do Conselho Diretor da
Fundação de Arte de Ouro Preto
MINAS GERAIS

Prezado senhor e amigo:
Faz bastantes meses mandei-lhe uma longa carta explicando-lhe as dificuldades para continuar a finalizar, se for possível, os meus trabalhos essenciais sobre música religiosa na Capitania Geral das Minas Gerais. Sabe o ilustre amigo que Minas Gerais constitui a minha paixão, por razões óbvias, pois trata-se dum movimento musical único na História Universal das Artes. E a isto agrega-se ainda o meu amor por Minas e o Brasil.
São muitas as dificuldades para achar uma solução, lá em Belo Horizonte e aqui em Montevidéu. Não estaria em condições de realizar viagens, estágios e pesquisas com os meus magros recursos, o que já fiz em muitas ocasiões, sem apelar perante ninguém, mas as circunstâncias de hoje são muito diferentes, ao menos para mim.
Sugeri, em carta recente, ao comum amigo Affonso Ávila fazer um apelo perante o Exmo. Governador de Minas para ele proporcionar despesas de viagem, estágio em Minas e movimentação em Minas para mim e a minha senhora, que é experimentada colaboradora. Pensei até num abaixo-assinado, pois não me faltam, certamente, amigos de significativa representação e na nossa conversa epistolar chegamos à possibilidade de reclamar talvez um auxílio do Conselho Diretor da Fundação de Arte de Ouro Preto.
Acontece que eu sou Diretor honorário deste Instituto e que as minhas entradas mensais somente podem vir duma atividade fora do Uruguay, o que significa que eu devo aceitar com antelação de um ano propostas vindas de países e lugares do meu interesse.
Estamos, pois, nesta encruzilhada. Muitas vezes, à espera dalguma promessa de autoridades brasileiras, não se realizou o convite para pesquisar no Brasil que já tinha aceito, rejeitando eu outros de maior conveniência e necessidade.
Tomo a liberdade para lhe perguntar hoje até que ponto a Fundação de Arte de Ouro Preto poderá estar interessada na minha colaboração, no sentido de dar fim a uma série de trabalhos sobre a História da Música em Vila Rica e em Minas Gerais, pelo fato de ter tido profunda irradiação a atividade musical até nos últimos recantos da capitania. Deveria continuar pesquisando na Matriz de Ouro Preto, em São Francisco e o Carmo, no Rosário e em outros arquivos, incluindo o da Casa da Baronesa e o Arquivo Público Mineiro, Mariana e outros lugares para onde foram músicos de Vila Rica quando começou a decadência da mineração.
Para o ano vindouro perfila-se uma série de ofertas recebidas dos EE.UU., de Portugal, da Alemanha e da Argentina, uma das quais preciso aceitar pois a minha atividade profissional é indispensável pelo fato de eu ter que viver e sustentar uma família.
Peço, pois, queira responder-me em forma completamente pessoal, e não oficial, o que acha com respeito ao meu desejo de continuar e concluir ao menos as pesquisas mais essenciais.
Estaria disposto, inclusive, a entregar todos os meus trabalhos, uma vez revistos e organizados em volumes, à Fundação de Arte de Ouro Preto, sempre que existisse a real possibilidade de os publicar progressivamente. Nesta oferta entrariam, naturalmente, as partituras das obras dos criadores mulatos, reclamadas em cinco continentes para as projetadas apresentações públicas, que reconstruí e restaurei para coro e orquestra modernos.
Aguardo a sua resposta e sem outro particular, receba as cordiais saudações do seu amigo.

Francisco Curt Langue


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