Várias

Antônio Cândido

Meu caro Murilo:
Nestas férias de fim de ano que estão por acabar, li Os Dragões, com o grande prazer de reencontrar quase todo O Ex-Mágico e mais algumas excelentes novidades. Creio que já lhe disse, há anos, o quanto gosto de sua ficção – rara, densa, de um insólito despreocupado que suprime qualquer farol e nos faz sentir como se as leis do mundo estivessem normalmente refeitas. Uma naturalidade admirável, feita de supernaturalidade.
Agora, relendo e lendo há anos de distância da primeira experiência de leitura, fiquei admirado, sobretudo, com o caráter precursor de muitos aspectos que não conhecíamos então, ou que só depois apareceram na literatura. Há nos seus contos um certo tipo de fantástico meticuloso e óbvio que lembra o tom que depois viemos encontrar em Borges; ou em alguns do nouveau-roman. Por vezes, uma nítida premonição da labilidade misteriosa de Marienbad porque, também para você, o problema da identidade e da pluralidade do ser é hábito. E isto tudo dá ao seu livro uma tal atualidade que só agora vejo como você estava desde há muitos anos, e sem que eu percebesse devidamente, instalado de pleno direito no cerne das melhores experiências da ficção contemporânea. E depois, que plena maestria!
Um grande prazer, meu caro Murilo, foi essa leitura-releitura-recompreensão, feita aqui no meio dos morros deste nosso sul de Minas.
Muitas saudades, muito obrigado e um grande abraço do
Antônio Cândido

Poços de Caldas, 25 de fevereiro de 1967.


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