Acervo de estranhas histórias

Mesmo com um bom número de críticas, dissertações e teses sobre Murilo Rubião, ainda há muito a se escrever sobre o importante escritor e homem público. Mário de Andrade, ao ler alguns dos originais em 16 de junho de 1943, assim comentava: “(...) o mais estranho é o seu dom forte de impor o caso irreal. O mesmo dom de um Kafka: a gente não se preocupa mais, e preso pelo conto, vai lendo e aceitando o irreal como se fosse real, sem nenhuma reação a mais.” Já em 27 de dezembro de 1943, Mário diz, em nova carta a Murilo: “(...) eu fico sempre numa enorme dificuldade de dar opinião pra esse gênero de criação em prosa a que estou denominando aqui de baseada no princípio da fantasia. O próprio Kafka, confesso a você que freqüentemente me deixa numa insatisfação danada”.

Esses dois fragmentos são interessantes para se pensar na recepção crítica de Murilo pois as cartas, em forma de correspondências privadas entre amigos, já demonstram características que iriam marcar os futuros estudos sobre Rubião, como por exemplo a comparação com Kafka e a dificuldade de compreensão do novo gênero que o escritor mineiro inaugurava na literatura brasileira - o fantástico-, muito antes das produções de Borges, Cortázar e Garcia Márquez.

Mesmo Antônio Candido irá refazer suas primeiras impressões de Murilo. Em carta ao escritor, datada de 25 de fevereiro de 1967, escreve: “li Os Dragões, com o grande prazer de reencontrar quase todo O Ex-Mágico e mais algumas excelentes novidades. (...) lendo há anos de distância da primeira experiência de leitura, fiquei admirado, sobretudo, com o caráter precursor de muitos aspectos que não conhecíamos então, ou que só depois apareceram na literatura.”

Álvaro Lins, Sérgio Milliet, Davi Arrigucci Jr., José Paulo Paes, Nelly Novais Coelho foram críticos que produziram importantes trabalhos sobre Rubião, mas o primeiro livro dedicado inteiramente ao estudo de sua obra chama-se A poética do uroboro, de Jorge Schwartz, que faz uma minuciosa reflexão sobre a importância das epígrafes bíblicas na obra do escritor que tem como uma de suas centrais características o fato de ter reescrito mais do que escrito seus contos.

Entre as dissertações e teses sobre o escritor, podemos citar as de Audemaro Taranto, Sandra Nunes, Roberto Tadeu dos Santos, Ana Cristina Costa Val e Jorge Schwartz – em cuja defesa, na USP, sob orientação de Antônio Candido, Murilo compareceu como uma de suas fantásticas personagens. Professores universitários também têm feito relevantes trabalhos sobre a obra do escritor, entre esses podemos citar Vera Lúcia Andrade, da UFMG.

Um excelente espaço para se conhecer melhor a fortuna crítica sobre Murilo Rubião é o Acervo de Escritores Mineiros da Faculdade de Letras da UFMG. Este site é uma mostra, digital e aberta a uma variedade maior de leitores, da bem organizada e ao mesmo tempo babélica biblioteca pessoal de Murilo, com centenas de documentos, fotos e mais de 5.000 livros, que fica no Acervo.

Roniere Menezes


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